A bolha e os bárbaros
Numa putativa bolha ideológica, habitada por uma elite com pretensões intelectuais ou sociologicamente afastada da plebe anónima, vive um grupo de insondáveis cidadãos cujas opiniões resistem ainda e sempre ao confronto com a realidade da opinião provinciana. Tomados de um invencível saber, consideram todos os estranhos seres existentes no exterior da sua aldeia gente zangada com o mundo que eles tanto amam, e a quem tudo o que interessa é brandir o sistema político vigente. A esta gente cabe o papel, manifestamente incivilizado, de se se insurgir contra a realidade que os dados, os factos e a História demonstram e plasmam na realidade do seu dia-a-dia. Não se coíbem então, do alto da sua bolha, os comentadores, noblesse oblige (auto)promovidos a analistas políticos, de zurzir, galhofar e, eventualmente até, insultar os bárbaros que sentem como ameaçadoramente anti-democráticos.
A situação agudiza-se quando estes náufragos da ortodoxia de esquerda e de cada fugaz ideologia ‘trendy’, frequentadores de palco mediático e condizente circuito de restauração, pressentem que o solo que os amparava começa a deslocar-se sob os seus pés. A segurança íntima que julgavam ter provém, afinal, não de verdades objectivas, mas do estreito inventário de certezas que cada um arquiva e baptiza de ‘conhecimento’. Esse conhecimento profundamente subjectivo é, porém, o espelho onde cada........
