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Porque sou de direita /premium

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07.04.2019

José Manuel Fernandes explicou aqui no Observador há duas semanas porque não é socialista. Concordo com quase tudo o que JMF disse, só discordo do título. Por várias razões históricas, em Portugal muita gente não é socialista, nem sequer de esquerda mas não é capaz de se assumir de direita (ou acredita mesmo que não é de direita). Há duas explicações. Uma tem a ver com a experiência pessoal. Muitos daqueles que despertaram para a política no Estado Novo não conseguem deixa de associar o termo direita com o Salazarismo. Está profundamente instalado no seu pensamento. Muitos deles encontram-se numa posição curiosa. Começaram o seu percurso intelectual e político na esquerda, a maioria nas esquerdas radicais. Entretanto abandonaram, desiludidos, a militância de esquerda mas não conseguem identificar-se como sendo de direita. Definem-se como não socialistas ou não-esquerda.

Respeito muito as experiências pessoais e não as julgo, sobretudo aquelas que começaram em tempos que não vivi. Passar do marxismo radical para o não-socialismo é uma evolução que admiro e que vejo com muitos bons olhos. Mas a minha experiência intelectual e política é diferente. Tinha 8 anos quando se deu o 25 de Abril. Para mim, o Estado Novo faz parte da história que nunca vivi. Nasci para a política com uma ameaça muito bem identificada: o comunismo. Em Portugal, o PCP e as esquerdas radicais. Na Europa e no mundo, a União Soviética e a China. Aprendi depressa o que não queria: viver num país comunista ou ver a União Soviética dominar a Europa. Em Portugal, Sá Carneiro tornou-se rapidamente a minha referência política. Representava para mim a resistência à ameaça comunista. No mundo e na Europa, Reagan e Thatcher lideravam a luta contra o império........

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