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Esquerda tem um entendimento curioso da democracia /premium

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07.07.2019

A escolha do novo Presidente da Comissão mostrou, mais uma vez, o entendimento muito particular que a esquerda tem da democracia. Os exemplos repetiram-se. Começou com a rejeição de Manfred Weber para a chefia da Comissão. Já afirmei que o PPE cometeu um erro ao escolher um político inexperiente e sem experiência executiva para se candidatar à presidência da Comissão. Mas uma coisa bem diferente é atacar a sua legitimidade para o cargo. Eu trabalhava em Bruxelas quando se negociou o Tratado de Lisboa e lembro-me muito bem do que se discutiu. Todos sabiam que havendo eleições em 28 países é praticamente impossível um grupo político alcançar sozinho a maioria absoluta. Por isso, o espírito do Tratado é de que o candidato do grupo mais votado goza do direito político de ser escolhido pelo Conselho Europeu e de tentar construir uma maioria no Parlamento Europeu. Foi assim com Durão Barroso em 2009 e com Jean Claude Juncker em 2014.

Desta vez, não foi assim porque os governos socialistas e liberais atacaram a legitimidade de Weber, com argumentos extraordinários. Um deles foi de que o PPE tem ocupado a presidência da Comissão Europeia há demasiado tempo. É verdade. Sabem porquê? Porque é o grupo mais votado desde 2004. Vejam se entendem bem. Os socialistas perdem as eleições europeias desde 2004. Quem tem a culpa das sucessivas derrotas dos socialistas? Não são certamente os partidos de direita na Europa. Se os socialistas tivessem sido o grupo mais votado nestas eleições europeias, os seus líderes teriam questionado a legitimidade do seu candidato, Timmermans? Claro que não. Então por que razão questionaram a legitimidade de Weber? Por uma razão muito simples: não é socialista e é de direita. Perguntará o leitor........

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