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(Não) ir à praia /premium

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28.07.2019

Vamos imaginar que uma pessoa civilizada e educada, que viveu no século XIX, regressaria ao mundo no início do século XXI, e iria um dia de Verão a uma praia na Costa portuguesa. Imaginem, por exemplo, Eça de Queiroz na Costa da Caparica ou em Carcavelos num dia de Agosto. Estou absolutamente convencido que ele ficaria espantado e muito confuso. Milhares de pessoas semi-nuas, deitadas ao sol, numa indulgência preguiçosa durante horas e horas sem fim. Mais, estou seguro que o nosso querido Eça julgaria que a humanidade teria enlouquecido.

Pensei nisto, no fim de semana passado, quando fui passar uns dias de férias a uma casa de família em Castro Daire (distrito de Viseu), onde o sossego é precioso, onde posso nadar no rio Paiva só com os meus três filhos e sem mais alguém por perto. Um privilégio incomparável nesta era das massas em que vivemos. A fila de carros para atravessar a ponte chegava à entrada da A5 no Restelo. Fugi imediatamente por Monsanto para apanhar o eixo Norte-Sul. Mas enquanto olhava para os ocupantes de todos aqueles carros, não consegui deixar de pensar: esta gente é louca.

Vejamos. A maioria daquelas pessoas passa horas nos carros, ou em transportes públicos, durante a semana para ir trabalhar. Chega o fim de semana, e o que fazem? Passam horas nos carros em filas intermináveis para ir à praia. Chegam à praia, já cheios de calor, mal-dispostos, com crianças rabugentas, e perdem mais uns largos minutos a encontrar um lugar para o carro. Chegam, finalmente à areia (umas três horas depois de terem........

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