A soberania energética da Europa continua a passar por Ormuz

Para a Europa, o significado económico do conflito de 2026 que envolve o Irão, os Estados Unidos e Israel tem sido frequentemente mal interpretado. O continente não depende de forma particularmente significativa do petróleo iraniano, nem o problema central reside numa eventual perda directa do abastecimento proveniente do Golfo Pérsico. A questão é, na realidade, mais simples e menos confortável: a Europa continua a importar petróleo e gás em volumes suficientes para que os choques globais nos mercados de combustíveis fósseis determinem o preço marginal da sua energia.

Desde a intensificação das hostilidades a 28 de Fevereiro, os mercados reagiram de forma imediata. O preço do petróleo registou uma subida acentuada, enquanto o gás europeu exibiu uma volatilidade ainda mais pronunciada. Segundo a Reuters, o petróleo valorizou cerca de 20% até 6 de Março e acumulou uma subida de 24% ao longo da semana terminada a 7 de Março. A Agência Internacional da Energia indicou, por sua vez, que o gás TTF holandês aumentou mais de 60% até 5 de Março. Paralelamente, estimativas citadas pela Reuters indicam que aproximadamente um quinto do abastecimento mundial de petróleo bruto e gás natural foi suspenso ou perturbado devido a riscos no transporte marítimo e a danos em infra-estruturas energéticas.

É neste contexto que o Estreito de Ormuz assume uma importância crítica para a Europa, mesmo que as importações directas provenientes da região sejam menores do que as registadas em economias asiáticas.

Importa reconhecer, em primeiro lugar, que a Europa realizou progressos reais desde 2022. A dependência directa do petróleo bruto do Médio Oriente representa actualmente apenas cerca de 5% das importações europeias, segundo dados da Kpler citados pela Reuters. O bloco europeu diversificou igualmente as suas fontes de abastecimento após o afastamento progressivo da Rússia, com a Noruega e os Estados Unidos a assumirem agora um papel central no seu mix energético.

Contudo, o ponto mais relevante permanece inalterado: em termos agregados, a Europa continua profundamente dependente de importações energéticas. O Eurostat estima que a dependência global da União Europeia relativamente a importações de energia tenha atingido 58,4% em 2023. Nesse mesmo ano, 94,9% do petróleo consumido e cerca de 90% da procura de gás natural foram satisfeitos através de importações. Em 2024, o bloco ainda gastou 375,9 mil milhões de euros na aquisição de produtos energéticos.

Assim, a questão pertinente não é saber se a Europa compra grandes volumes de energia iraniana. A verdadeira questão é saber se a economia europeia se encontra suficientemente protegida da volatilidade das moléculas energéticas importadas — cujo preço é definido em mercados globais e cujo transporte depende de rotas marítimas potencialmente instáveis. A resposta permanece claramente negativa.

Essa vulnerabilidade manifesta-se de forma particularmente evidente no mercado do gás. Em 6 de Março, os níveis de armazenamento de gás da União Europeia encontravam-se apenas 29,52% preenchidos, segundo a Gas Infrastructure Europe. A Reuters relata que o gás natural........

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