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Os Messias do Covid-19

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13.06.2020

Têm surgido neste jornal várias vozes contra as medidas de confinamento tomadas pelos vários países por causa do Covid-19. Sobre a suposta “histeria” relacionada com a perigosidade do vírus que, afinal de contas, não passa de uma “gripe”. O confinamento foi inútil, dizem eles. As máscaras são inúteis. Os assintomáticos não transmitem a doença. Matamos pessoas por outras doenças, por ausência de resposta dos hospitais por causa da Covid-19. É a propaganda do medo. Destruímos a economia para nada por uma doença “perfeitamente banal”.

Estes Messias da Covid-19 são na realidade os negacionistas da Covid-19, ao nível dos anti-vacinas e dos negacionistas das alterações climáticas de origem antropogénica. Aproveitam-se do desespero das pessoas que ficaram sem sustento ou tiveram quebras brutais de faturação, ficaram em lay-off ou pior… acabaram no desemprego. As pessoas querem acreditar nos Messias. Precisam de acreditar nos Messias na esperança que a normalidade se restabeleça. O problema é que o efeito pode ser exatamente o contrário. Seguir os Messias pode ser, paradoxalmente, a catástrofe dos seus seguidores.

O que é estranho é que estes Messias são facilmente desmontados por eles próprios. Apresentam currículos “brilhantes” que não passam de engodos para crentes, como dizer que são “doutorados em modelação de doenças respiratórias” quando, na realidade, fizeram um doutoramento em modelação do gasto energético recorrendo a acelerómetros em doentes com DPOC e fibrose cística…nada a ver com epidemiologia, virologia ou infecciologia. Mas isso não os impede de se venderem dessa forma.

Mas supondo que são mesmo craques na área da epidemiologia (que não são), isso não passaria de uma falácia da autoridade. Mais interessante será avaliar as previsões dos Messias e como estas fugiram completamente à realidade.

Esta doença banal terá, segundo as melhores estimativas, uma Infection Fatality Rate (IFR) a rondar os 0.3 a 0.6%, segundo os estudos serológicos existentes. Em comparação com a gripe,........

© Observador


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