Pumpaj: o grito de quem não fica na sala de espera |
Um teto desaba em Novi Sad. Dezasseis mortos. Estudantes pintam ministérios de vermelho e gritam ‘Pumpaj’ – mantém o coração a bombear. Em Portugal, 850.000 jovens fugiram de um país que exporta esperança. O betão já caiu. A questão é: quem fica de pé?
Às 11h52 de um dia cinzento em Novi Sad, na Sérvia, o tempo parou. Não foi uma metáfora. Foi física pura e brutal. Uma pala de betão de centenas de toneladas desprendeu-se de uma estação de comboios “renovada” e esmagou o chão. O silêncio que se seguiu foi o som de um contrato social a partir-se.
Naquele momento, enquanto a poeira assentava sobre os escombros, algo mudou na alma da Europa. Os jovens sérvios não responderam com o vandalismo do costume. Responderam com uma dignidade que nos devia fazer tremer. Primeiro, o silêncio. Milhares de estudantes a bloquear cruzamentos, parados, mudos, durante 15 minutos. Um minuto por cada vida perdida. Depois, o barulho. Quando a polícia de choque avançou, eles não recuaram. Sacaram de bombas de bicicleta e começaram a bombear o ar. O som mecânico, rítmico, espalhou-se pelas ruas. Shh-clack. Shh-clack. E um grito novo nasceu: Pumpaj! (Bombeia!).........