A sexualização da astrofísica e outras estórias
Já há 42 anos, nos Jogos de Los Angeles, era o nosso nadador de elite Alexandre Yokochi – hoje professor nos EUA – e lembro-me de ter sido referido que, em média, eram precisos 5000 praticantes para aparecer um daquela qualidade. E, como Portugal tinha cerca de 6000, “aquele” era o nosso, aquele a que tínhamos direito.
Da maneira como está dito, não há qualquer justificação para o contribuinte subsidiar atletas de elite, mas aquela é a maneira errada de o dizer. O número é irrelevante, mas a maneira certa é que a atividade de um atleta de elite é alavancada para 6000 atletas que o fazem para bem da sua saúde e, no fim, de toda a saúde pública. Em vez de pensarmos que é um filtro, pensemos que é um amplificador. E isso vale muito mais do que aquilo que subsidiamos. Subsidiar atletas de alta competição é dar modelos de comportamento às crianças, algo que lhes sirva de exemplo, de forma que a saúde melhore e os custos sociais desçam. Sem falar no facto de o desporto promover outro tipo de valores que não são incutidos na vida da rua.
Não querendo entrar na velha história de a educação ser dada pela aldeia, a verdade é que a nossa vida de crianças e adolescentes é feita de modelos e de exemplos a seguir. O mérito associado ao desporto de alta competição, que não faz bem a ninguém, já deixou de ser propaganda nazi-soviética para ser um bem público concreto.
Mas não é só no desporto, é em tudo. Estudos feitos sobre o facto de haver poucas mulheres em STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) mostram que, embora na infância revelem tendências e competências iguais ou superiores às dos seus colegas rapazes, à medida que crescem vão abandonando a ideia. Pior: quanto mais intensas são as........
