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Sir Roger Scruton (1944-2020): Uma homenagem /premium

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20.01.2020

Nas tocantes e muito merecidas homenagens a Roger Scruton, tem sido muito apropriadamente sublinhado o desafio intelectual que ele corajosamente manteve contra a(s) esquerda(s) politicamente correcta(s). Receio, no entanto, que esse fundamental desafio intelectual de Scruton contra a(s) esquerda(s) tenha permitido esquecer o desafio intelectual que ele também lançou contra a(s) direita(s).

Este desafio contra a(s) direitas(s) pode ser resumido numa pergunta muito simples que ele refere em várias das suas obras: por que motivo o termo “conservador” só é utilizado com orgulho nos países de língua inglesa e, por contraste, é cuidadosamente evitado na Europa continental?

A resposta politicamente correcta entre os ‘conservadores’ do continente europeu consiste em dizer que eles são vítimas do sectarismo revolucionário do Iluminismo continental e dos seus herdeiros, a esquerda iluminista (e agora também a ‘nova esquerda’ niilista e pós-moderna) continental.

Esta é sem dúvida parte da verdade. Mas dificilmente pode ser aceite como toda a verdade. A outra parte, tão ou mais importante, é que aquilo que muitos (embora não todos) dos “conservadores continentais” quiseram conservar era (e talvez ainda hoje seja) muito diferente daquilo que os conservadores de língua inglesa queriam e querem conservar.

Roger Scruton escreveu abundantemente sobre esta diferença (ainda que, em meu entender, tenha sido tímido nas consequências a retirar dessa diferença). Basicamente, ele sublinhou que os conservadores nos países de língua inglesa queriam conservar as........

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