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Recordando Oakeshott em Lisboa /premium

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16.09.2019

Terá lugar no final desta semana em Lisboa, no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, a 10a conferência (bienal) da Michael Oakeshott Association. É de certa forma uma feliz coincidência: há poucas semanas, a revista The Economist dedicava um editorial e um longo ensaio ao conservadorismo liberal, colocando Oakeshott, ao lado de Burke, como nobres referências cruciais dessa tradição política (que a revista elogiava).

Diferentemente de Edmund Burke (1729-1797), todavia, Michael Oakeshott (1901-1990) não teve intervenção político-partidária. A paixão da sua vida foi a Universidade, que serviu primeiro em Cambridge (onde dirigiu durante muitos anos o prestigiado Cambridge Journal), e depois na London School of Economics, onde dirigiu o Departamento de Ciência Política (1948-1969). Durante a II Guerra, serviu como voluntário nas Forças Armadas britânicas — tendo sido sempre um crítico intransigente do nacional-socialismo nazi e do comunismo.

Oakeshott foi sobretudo um estudante e um professor da história do pensamento político ocidental. Foi neste âmbito que sugeriu um olhar original, nem sempre percepcionado pelos leitores activistas de Oakeshott. Não sendo possível tratar aqui em detalhe a originalidade desse olhar, ela deve ser pelo menos mencionada.

Basicamente, Oakeshott sugeriu que a distinção política crucial na história política ocidental não é entre “esquerda vs. direita”, mas entre o que designou por “política de fé (ou de perfeição) vs. política de cepticismo (ou de imperfeição)”.

No mundo moderno (sobretudo após a revolução francesa de 1789), a principal expressão da política de fé tem sido o que Oakeshott designou por “racionalismo em política”. Trata-se de uma fé ilimitada na chamada “Razão” — em regra percepcionada em oposição à fé religiosa........

© Observador