A laje das Lajes

Há uma coisa admirável na esquerda radical,  a sua consistência na inconsistência.

Quando os mísseis iranianos rasgam o céu do Médio Oriente, quando o regime dos ayatollahs financia proxies que massacram civis e enforca mulheres por deixarem o cabelo ao vento, ouve-se um silêncio ensurdecedor nos mesmos círculos que, semanas antes, enchiam praças e redes sociais com a sua indignação selectiva e telegénica. Pedro Sánchez, esse iluminado gestor da contradição ibérica, que não hesita em reconhecer Estados e condenar democracias com a desenvoltura de quem muda de gravata, guarda o seu eloquente mutismo para os carrascos que não se enquadram na narrativa. Sartre chamaria a isto mauvaise foi, má-fé. Mas Sartre, convenhamos, também ele teve os seus silêncios convenientes face a Moscovo e a outras latitudes mais tropicais.

A hipocrisia não é nova. É, aliás, como diria La Rochefoucauld, o tributo que o vício presta à virtude. O que é novo, e deliciosamente absurdo, é a sua encenação contemporânea, onde a indignação moral é inversamente proporcional ao risco pessoal de a manifestar. Condenar Israel ou os........

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