Imposto é Roubo?
A TAP fazia, religiosamente, greves em agosto e no Natal, precisamente quando mais gente dependia dela, o que lhe valeu a alcunha internacional de “TAP: Take Another Plane”. Depois veio a privatização parcial de 2015, o alívio de deixar de ser obrigado a pagar por um serviço caro e mau, a renacionalização em 2020, e o regresso à casa de partida. Como não se pode estar meio grávido, aqui está a TAP outra vez, com o prazo para propostas vinculativas da Air France-KLM e da Lufthansa a fechar a 29 de julho, a terceira tentativa de a vender desde 2015. Atrás ficam o escândalo dos fundos da Airbus, a indemnização autorizada por WhatsApp a uma gestora pública, a indemnização reclamada pela antiga presidente executiva, despedida depois de a tutela anunciar a sua exoneração sem a ter sequer ouvido, e um sem-fim de outros absurdos.
Foi nesse contexto que surgiu um sinal pouco habitual. A 27 de junho, o Porto recebeu o Rothbard 100, o maior encontro libertário alguma vez realizado em Portugal, para assinalar o centenário de Murray Rothbard. Entre Hans Hermann Hoppe, Stephan Kinsella e os restantes oradores, voltou a ouvir-se a frase que mais incomoda quem vive do orçamento do Estado: “imposto é roubo”, dita, com alguma ironia, numa cidade de tradição histórica de esquerda. Um mês depois, já não a encontrei apenas em painéis. Vi-a estampada em t-shirts, de Lisboa às praias de Sagres. Alguma coisa mudou na tolerância dos contribuintes perante o desperdício de dinheiro público. Não é preciso aceitar que todo o imposto é roubo para reconhecer que um imposto cobrado a todos para financiar os prejuízos de poucos já pouco se distingue de uma transferência forçada de riqueza. É isso que a TAP e, sejamos francos, também a CP fazem há décadas: transferem para todos o custo de empresas que nunca perguntaram aos contribuintes se queriam ser seus acionistas.
A verdade é que esta pergunta nem sequer é original dos libertários. Miguel Sousa Tavares, voz distante........
