Danke, Lufthansa. Não esquecer o resto, bitte
A 14 de Outubro, no café do terminal doméstico do Aeroporto Humberto Delgado, o voo das 6:00pm para o Porto e o voo para Faro estavam, digamos, ligeiramente atrasados. Serafim Tripeiro, de regresso ao Porto, e Alcino Medronho, a caminho de Faro, partilhavam a mesa e a paciência quando a televisão deu a notícia por cima do barulho de fundo. O Conselho de Ministros, entre chamadas a seleccionadores e respostas a PPC, escolheu a Alemanha: 1.201 milhões por metade da TAP. Com contrapartidas, incluindo uma escola de pilotos em Tancos, onde o Estado costuma guardar tão bem as coisas. A outra metade fica para 2028, porque Luís Montenegro não vende hoje o que pode prometer amanhã. Serafim Tripeiro pousa o cimbalino, desconfiado como quem recebe meia francesinha e a promessa de comer o resto em 2028. “Metade, Alcino? Num sei, carago. Será que é desta?”
Alcino Medronho nem leva os olhos para o telejornal. “Pois é. Alembras-te da pandemia? O PS enfiou lá 3.344 milhões. Três mil trezentos e quarenta e quatro milhões, Serafim, um balúrdio que, a 5.000 aeros o m², tinha dado para comprar quase 7.000 casas de 100 m². Agora dã-nos 1.201 por metade. Bom negócio nã é. É o fim de um péssimo!” No mercado diz-se que mais vale perder o que está perdido do que continuar a derreter dinheiro. “E no........
