Retrato eleitoral do país: da esquerda para a direita

No retrato eleitoral do país temos, da esquerda para a direita: Catarina Martins, do Bloco de Esquerda (2,06%); António Filipe, do Partido Comunista (1,64%); Jorge Pinto, do Livre (0,68%); e o anti-Chega com “licença para odiar” André Pestana da Silva (0,19%). Todos juntos, não chegam a 5% dos eleitores. Porém, independentemente da sua representatividade real, é de prever que a representação na comunicação social desta imaginária “vanguarda esclarecida” continue pujante.

Temos depois “o campo socialista”, dito “campo democrático”, como na Primeira República, curiosamente representado por António José Seguro, um filho mal-amado da Esquerda e do próprio PS. Seguro é alguém de grande honestidade pessoal que, de hesitação em hesitação, acabou por pôr reservas a Sócrates e por ser irradiado por António Costa.

À direita do campo socialista, o retrato fica simultaneamente mais fragmentado e mais nítido, com a primazia de André Ventura a deixar muito boa gente à beira de um ataque de nervos.

O PSD, ou o que ficou do velho PSD – que no breve consulado de Sá Carneiro e da primeira AD marcou a resistência possível aos desmandos do MFA e da extrema-esquerda; que no primeiro Cavaquismo enveredou por uma política que, infelizmente, não prosseguiu, e que, com Passos Coelho, voltou a mostrar sentido de bem público – sai mal na fotografia. O seu candidato captou pouco mais de um terço do eleitorado cativo da AD, que ou foi atrás do liberal Cotrim de Figueiredo ou se deixou encantar por Gouveia e Melo. Espera-se agora ardente e democraticamente que este eleitorado, deixado livre, se sinta obrigado a votar pelo seguro, ao lado do Partido Socialista e da extrema-esquerda, para “defender a democracia”.

Mas se os apparatchiks socialistas em funções foram apoiando António José Seguro a conta-gotas e a........

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