Marcelino da Mata, os presos de Abril e as eleições em Loure |
Há um claro regresso da Política e do político, do amigo e do inimigo, ao espaço público. E as duas últimas semanas foram elucidativas da escala em que por cá se joga o critério de divisão e confrontação schmittiano.
Um dos lugares de confronto foi a Assembleia Municipal de Lisboa, com uma batalha toponímica desencadeada pela proposta de um representante do PSD de dar o nome do tenente-coronel Marcelino da Mata a uma rua da capital.
Marcelino da Mata nasceu na Guiné quando a Guiné fazia parte do “Ultramar” português. Tal como dezenas de milhares de conterrâneos, Marcelino escolheu ser português e lutar no exército português contra o PAIGC, o movimento de guerrilha independentista. Em 1974, cerca de 36.000 homens, um terço das tropas portuguesas na Guiné, eram de recrutamento local e a Guiné era o território ultramarino onde a percentagem de combatentes locais era menor; em Angola, metade do total de um efectivo de cerca de 80.000 homens era de recrutamento local, e em Moçambique os locais eram mais de metade dos 60 000 soldados mobilizados. Quando a guerra começou, em 1963, o Times de Londres escreveu que a Guiné era “o calcanhar de Aquiles” do império português. E foi. Basta olhar os curricula dos generais, dos capitães, dos promotores da contestação militar à política ultramarina de integração racial e territorial, até a “guineização” de todo o ultramar português, avançada em Portugal e o Futuro.
Bom ou mau, o “colonialismo português” foi ali substituído pelo que é hoje uma cleptocracia instável, uma ditadura militar que goza da pior fama de ligações ao narcotráfico transatlântico. Em Novembro do ano passado, deu-se o original “auto-golpe” de Sissoco Embaló que, perante uma derrota eleitoral anunciada, pôs os militares a derrubá-lo e a congelar as eleições. Sissoco, legitimado internacionalmente por Lisboa e pelos socialistas portugueses no meio de um debate pós-eleitoral mais do que suspeito, encontra-se actualmente em Marrocos, depois de deixar a hospitalidade do seu amigo Denis Sassou-Nguesso, o octogenário “président à vie” da República do Congo-Brazzaville. Parece que, agora, o “Comando Militar”, instrumentalizado por Sissoco, não quer deixar o poder e vai dizendo ao auto-exilado presidente que não pode garantir a sua segurança. Acontece… Entretanto, Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC e, por isso, o provável vencedor da eleição congelada, continua detido no seu domicílio em Bissau.
Voltando ao passado, Marcelino da........