Good Cops e Bad Cops, de Davos a Munique |
Depois da tempestade, a bonança. Não falo de Portugal, de Leiria ou de Coimbra, mas de Munique, no rescaldo de Davos.
Trump, conhece bem a velha técnica do good cop, bad cop; ou mais precisamente, do bad cop, good cop, sendo que o bad cop é, geralmente, ele mesmo. Talvez por isso em Davos tenha tratado de assustar toda a gente com a pretensão da Gronelândia, deixando os bilionários e os políticos do globalismo chocadíssimos.
Eu próprio, que, pelas melhores e piores razões, não me incluo em nenhuma dessas duas categorias, fiquei, não direi chocado, mas intrigado: depois de os dinamarqueses e “os europeus” se disponibilizarem de forma institucional e protocolar a garantir o que Trump queria – a segurança do hemisfério Norte, face a russos e chineses –, para quê aquela insistência? Para ficar como o presidente que acrescentou mais de 2.170.000 km2 aos territórios da União? Bem sei que é uma velha aspiração americana, mas “América para os americanos” não deixa de soar a reivindicação imperialista, agressiva, ilícita, longe do charme libertador e poético que a mesma pretensão ganha noutros continentes: Ásia para os asiáticos”, “África para os africanos”..
Mas, mais uma vez, o bad cop recuou na ameaça de “invasão”, e pudemos (os de Davos e eu …) respirar de alívio.
Munique, o segundo Acto
Agora, em Munique, entre 13 e 15 de Fevereiro, foi o segundo acto da peça transatlântica. Onde, há um ano, o vice-presidente e vice-bad cop J. D. Vance tinha chocado os líderes “europeus” – dizendo-lhes algumas verdades sobre o modo como estavam a abandonar, ou até a trair, os valores de que se reclamavam, policiando a expressão de ideias e princípios, difamando os líderes das oposições, instrumentalizando o poder judicial para bloquear decisões populares, dizendo-lhes, enfim, que o maior perigo para a liberdade e para a paz vinha deles – entrava em cena o good cop Marco Rubio.
Marco Rubio, o católico nacional-conservador cubano-americano, o senador da Flórida, o “little Marco” que Trump destratou e cilindrou em 2016 (tal como a outros candidatos republicanos da Direita), o mesmo Marco que, mostrando fairplay e, sobretudo, sentido político, depois o apoiou em 2024 e agora integra lealmente a Administração Trump, foi o grande protagonista deste segundo acto........