As ideias do Papa |
Já passei por oito papas: Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, o único com quem me encontrei pessoalmente, Bento XVI, Francisco e, agora, Leão XIV. Todos diferentes como homens, com a sua humanidade, a sua personalidade, a sua história, a sua vida, e todos próximos como papas, como chefes da Igreja, na mediação tentada entre o tempo e eternidade, entre o mundo e Deus. Porque no mistério que envolve a relação de Deus com o mundo está a Igreja, instituída por Cristo para ficar connosco até ao fim dos tempos. Uma Igreja que, tendo o seu lado divino, também sofre das grandezas e das fraquezas, do bem e do mal, dos homens que a formam. De todos nós, que somos parte dela.
Os crentes, “os servos de Cristo”, sabem que o Papa, “o servo dos servos de Cristo”, é infalível quando, ex-catedra, se pronuncia sobre matérias de fé e de costumes. Mas também sabem e entendem que, ainda que defendendo sempre a verdade do Evangelho, o Papa está no mundo, entre os homens e as nações dos homens, e por isso está, e deve estar, atento ao mundo, ao seu tempo e ao seu modo.
É a esta luz que podemos e devemos, os que somos católicos e obedientes à Igreja, harmonizar os nossos deveres e hierarquizar as nossas lealdades. Só a esta luz e com esta reserva podemos falar da política de um determinado Papa e da política da Igreja num determinado momento.
Assim, qualificando em termos mundanos os papas com quem me tem sido dado passar pelo tempo, diria que Pio XII, São João Paulo II e Bento XVI, terão sido “conservadores”; Paulo VI e Francisco “progressistas”; e São João XXIII, João Paulo I e, agora, Leão XIV estariam entre o conservador e o progressista. Sempre nesta linha de simplificação, e fazendo equivaler “conservador” a “de direita” e “progressista” a “de esquerda”, estes três últimos papas seriam “centristas”.
Seja como for, como cristão e católico, tenho tentado sempre pôr........