A Direita, a Esquerda e o "Homem Novo"

Quer na discussão académica quer na divulgação jornalística, é recorrente discorrer sobre a verdade, o interesse e a utilidade do uso da bipolaridade e da terminologia Direita/Esquerda para analisar o quadro político. E como é, também, um tema de conveniência, a confusão aumenta, até porque muitos dos intervenientes parecem ainda não reparado que a distinção pela opção económica – Mercado versus Estado – deixou de ser importante.

Já foi importante. Há meio século, quando havia União Soviética e um bloco forte de Estados socialistas, onde o modelo económico era a direcção central da Economia e a propriedade privada estava proibida, quando Ronald Reagan e Margareth Tatcher, com a baixa de impostos e a guerra ao poder político dos sindicatos, surgiam como os patronos da Direita, fazia sentido a distinção pelo modelo económico.  Agora já não.

Com o fim da URSS, não há já quem defenda o socialismo e o Plano, além de alguns intelectuais pós-marxistas, como o amigo dilecto de Jeff Epstein, Noam Chomsky. A Economia deixou de ser um critério importante, ou pelo menos determinante, na distinção Direita/Esquerda.

Esta distinção faz-se agora por outras linhas e valores: nação e nacionalismo versus federalismo europeu e globalismo; família convencional versus família “exótica”; dois sexos versus mil géneros; realismo em política internacional versus cruzadas para exportar modelos políticos. Isto é, a Direita tende a ser hostil às guerras sem sentido e às tomadas de posição que acabam por ser inconsequentes por não atingirem os objectivos. Um bom exemplo disso, são as críticas vindas da direita americana à operação “Epic........

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