menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A pobreza energética que insiste em ficar fora do debate

11 0
07.01.2026

Houve um tempo neste Portugal à beira-mar plantado em que a água congelava dentro de casa. Transportava-se em cântaros, porque a água canalizada ainda não tinha chegado a todas as habitações. As janelas eram de madeira, os vidros finos, muitos já vencidos pelas intempéries ou pelas boladas dos jogos de futebol de rua, remendados com plástico.

As casas tinham uma única fonte de aquecimento: a lareira. Hoje romantizada, dotada de uma estética que o cinema ajudou a eternizar, mas que no quotidiano sempre foi pouco eficaz. Consome muita lenha e distribui mal o calor.

Esse tempo não acabou, houve melhorias, mas pouco sólidas. O nosso parque habitacional é envelhecido e muito pouco melhorado.

Apesar de pequeno, Portugal apresenta grandes disparidades térmicas. Não somos, de todo, um país de clima ameno — com exceção das ilhas. E este é um ponto central do debate: enquanto os verões são cada vez mais longos e extremos, os invernos, sobretudo no interior, continuam........

© Observador