Entre a Generosidade e a Estratégia
Se apenas 4% dos financiadores portugueses consideram o atual ecossistema filantrópico verdadeiramente estratégico, a pergunta é inevitável: o que é que os outros 96% acham que estão a fazer? Porque não é por falta de vontade, 93% diz que transformar este ecossistema é importante ou muito importante, o que é simultaneamente encorajador e, quando se pondera com atenção, algo de profundamente paradoxal: toda a gente reconhece que o sistema está estruturalmente comprometido, toda a gente considera urgente transformá-lo, e o sistema permanece exactamente igual.
Não é um problema de consciência, é um problema de ação. E há uma diferença muito grande entre financiar mudança e acreditar que estás a financiar mudança, diferença essa que, em Portugal, é muito maior do que gostaríamos de admitir. O estudo Filantropia Estratégica em Portugal, da Rede Capital Social em parceria com a PwC e a The Equator Company, é diagnóstico mais honesto que o setor filantrópico português alguma vez produziu sobre si próprio. A Inês Sequeira, co-fundadora e CEO da Rede Capital Social, resume a razão de existir deste estudo com uma frase que é também um desafio: “saber para onde ir, e o caminho para lá chegar, implica conhecer o ponto de partida.”
A maioria das organizações sociais portuguesas tem entre 50% e 70% das receitas dependentes de financiamento público,........
