A geração paralisada 

Há cada vez mais jovens adultos que chegam ao meu consultório paralisados. Não estão “perdidos” no sentido clássico da palavra, mas estão à espera. Uma espera que, depois de ouvir atentamente a história que trazem ao espaço de terapia, se revela frequentemente como uma expectativa de que a vida comece quando o seu mundo fizer sentido.

O problema que cada vez se torna mais evidente é que o sentido foi elevado a critério absoluto e ao derradeiro objetivo a atingir. Durante décadas dissemos a uma geração inteira (e incluo a minha nesta afirmação) que não bastava trabalhar, era sim preciso realizar-se. Que o emprego tinha de ser uma extensão da identidade, uma fonte de prazer, propósito, reconhecimento e, claro, de estabilidade financeira. A famosa expressão: “faz o que gostas e nunca trabalharás um dia na vida”. Hoje vemos as consequências práticas dessa promessa utópica. Muitos destes jovens sentem dificuldade em sequer considerar como hipótese empregos aceitáveis, quer do ponto de vista financeiro como de carga horária, porque há um receio de que a natureza do trabalho não seja condizente com o que se quer “fazer da vida”.........

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