UE reconsidera meta de 2035: energia líquida, não elétrica? |
Nas últimas horas, a discussão europeia sobre o fim dos motores de combustão ganhou uma nova reviravolta. A Comissão Europeia está a preparar um pacote para o setor automóvel, previsto para 10 de dezembro, mas que pode ser adiado algumas semanas devido à pressão política e industrial em torno da meta de 2035.
Mais do que um simples adiamento, vários responsáveis em Bruxelas já admitem rever a chamada “proibição de facto” dos motores de combustão. A nova regulamentação poderá permitir o registo de novos automóveis com motor térmico depois de 2035, desde que utilizem combustíveis de baixas emissões, como e-fuels, biocombustíveis avançados ou outros combustíveis sintéticos.
Esta inflexão surge após semanas de pressão da Alemanha e de parte da indústria automóvel, que exigem mais “neutralidade tecnológica” e a possibilidade de manter motores altamente eficientes, híbridos plug-in e combustão associada a combustíveis neutros em carbono.
O que isto mostra é simples: a ideia de uma Europa 100% elétrica em 2035 está a ser reavaliada. E, com isso, abre-se uma janela para um caminho que sempre esteve em cima da mesa, mas raramente foi posto no centro do debate público: a próxima revolução energética europeia pode continuar a ser líquida.
Isto não é uma defesa dos combustíveis fósseis. É o reconhecimento de que a inovação nos combustíveis sintéticos e renováveis pode ajudar a Europa a descarbonizar de forma mais rápida e eficiente, usando a infraestrutura que já existe e evitando uma transição “tudo ou nada” baseada apenas na eletrificação.
Os limites da eletrificação total
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