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Louvor e explicação da tradwife

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Alguns textos recentes de Patrícia Fernandes, aqui no Observador, e outro do inevitável Henrique Raposo, no Expresso, recordaram-me o divertido tema das tradwives, que eu alegremente esquecera entre o oceano de assuntos, divertidos e tristes, com que os canais de comunicação nos submergem todos os dias. A ideia diverte-me, não por si, e nem sequer por algumas tradwives, mas pelas reacções apaixonadas que acorda em outras mulheres: as que não são nem querem ser tradwives.

Um exemplo. Há uns meses, um canal de televisão organizou um debate entre mulheres: umas rotuladas como tradicionais ou conservadoras, e outras como progressistas ou feministas. A premissa tem interesse, porque assenta no reconhecimento de que, entre as mulheres, não existe um só ponto de vista sobre o que é melhor para as mulheres. Quem diria? No entanto, esta circunstância é recebida por algumas delas com visível desgosto, desgosto primariamente estampado nas expressões, vacilantes entre o choque e a repulsa, das feministas presentes naquele estúdio. Nas redes, as reacções não foram nem menos intensas nem menos eloquentes. Em várias, sugeria-se que o pluralismo de opiniões na televisão é desejável, mas não tanto. Tudo isto que acabo de narrar é, por razões que espero óbvias, extremamente divertido.

Para algumas mulheres, portanto, a tradwife é uma espécie de vírus da inteligência, a cuja exposição as audiências têm de ser preservadas. Consigo, até certo ponto, pôr-me nestes alheios olhos e perceber que as imagens evocadas pelo conceito de «dona de casa» poderão ser algo sombrias: a mulher como prisioneira da casa, condenada a mudar as fraldas, a gerir o funcionamento simultâneo das máquinas de lavagem, e a cozinhar a........

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