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A última humilhação do homem

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15.06.2026

Escreve-vos uma forma obsoleta de vida: uma inteligência precária, desertada por uma atenção preguiçosa, que necessita, a cada dia, de oito horas de completa inactividade. Esta máquina dissente em tudo da eficiência desejada para a economia, para a produtividade da indústria nacional, para a competição com os bens e serviços do estrangeiro. Aliás, por estas razões, talvez a metáfora da máquina seja blasfema, uma vez que máquinas são, realmente, aquilo de que precisamos, e as máquinas são hoje eficientes e implacáveis.

Falo de mim, mas falo também da minha espécie. Posso testemunhar junto dos leitores, por experiência própria, que o homem é um animal que por vezes bebe demais, que torna a casa a tropeçar nas esquinas, que se levanta para ir para o trabalho a contragosto, carregando uma ressaca ou uma insónia, que come demasiados bifes de vaca, a contribuir para o aquecimento do planeta, que se debate em excesso com pensamentos intrusivos. O retrato é uma soma de ineficiências, mesmo um poço de misérias.

No entanto, até há bem pouco, o homem era um animal que se orgulhava, um animal que deixava levar para êxtases enganosos a propósito da sua singularidade cósmica. Sei bem dos assaltos que esta intuição sofreu, porque na........

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