No news, good news
O nono de dez filhos, passei a minha infância inteira a ouvir o meu pai repetir a expressão que uso no título, sempre que temporariamente não se sabia de alguém, ou que as notícias de alguém demoravam a chegar.
Embora ouvindo os meus irmãos a falar das nossas memórias da infância eu tenha chegado à conclusão de que vivemos todos em casas e famílias diferentes, há coisas razoavelmente consensuais e, uma delas, foi a imensa liberdade de que gozámos, tendo essencialmente duas obrigações: ter boas notas e chegar a horas às refeições.
Tudo o resto era menos relevante, cada um andava por onde queria, com o meu pai sempre a dizer “no news, good news” que é uma forma diferente do velho aforismo popular de que as más notícias correm depressa.
Quando tentava perceber se o quase silêncio sepulcral da imprensa sobre o início das classificações da segunda fase era uma manifestação do facto de a normalidade não ser notícia, ou uma concepção de jornalismo que entendia que os leitores não........
