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Os capitães, as nossas tropas e as malhas da ideologia

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26.04.2026

Angola, Cabinda, Novembro de 1974. O brigadeiro Silva Cardoso, membro da Junta Governativa de Angola, entra no Comando do Sector de Cabinda. Vários militares do MPLA devidamente armados fazem a segurança do edifício. Alguns soldados portugueses permanecem sentados.

A situação que levara Silva Cardoso a Cabinda é, no mínimo, surreal: em território sob administração portuguesa, um movimento, o MPLA, mantinha sequestrados vários militares portugueses, dentro de uma unidade militar portuguesa, com a conivência e a colaboração de militares portugueses.

No primeiro andar do Comando do Sector, Silva Cardoso cruza-se com um capitão das Forças Armadas Portuguesas. O capitão indica-lhe a porta de uma sala guardada por um militar do MPLA. Quando a porta é aberta avista-se uma sala onde eram mantidos presos os oficiais do Comando de Cabinda, entre os quais o próprio comandante, o brigadeiro Themudo Barata.

O óbvio remetia para uma palavra que entre os militares tem um peso próprio: traição. Com a cumplicidade de vários militares portugueses, o MPLA não só tomara o Comando do Sector de Cabinda como fizera prisioneiros os militares do respectivo comando. A razão era simples: o MPLA precisava de aceder ao material de guerra proveniente da URSS. Mas para isso o MPLA tinha de controlar as zonas portuárias e precisava de circular livremente dentro de Cabinda. Ora Themudo Barata não aceitara pactuar com essa manobra. Logo, criar uma situação que obrigasse ao seu afastamento foi a solução encontrada pelo MPLA e pelos militares portugueses favoráveis a este movimento.

O acontecido em Cabinda um ano antes da independência de Angola é apenas um dos muitos casos em que, entre 1974 e 1975, militares portugueses se viraram contra outros militares portugueses para favorecer o movimento que lhes era próximo, geralmente o MPLA em Angola e a Frelimo em Moçambique, para não nos alongarmos a outros territórios.

Entre as explicações que os militares e líderes políticos com responsabilidades na descolonização têm dado para a forma como esta foi feita, conta-se invariavelmente a........

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