O activismo de bordo
Ponto prévio: podem parar de brincar às flotilhas humanitárias? Não fosse a vergonhosa irrupção do ministro Ben Gvir (um homem que não foi aceite pelo exército israelita nas suas fileiras por causa das suas ideias extremistas e portanto nem sequer cumpriu serviço militar) e esta flotilha talvez só tivesse a destacá-la a espantosa cena de pancada que se armou no aeroporto de Bilbau entre os flotilheiros, os seus amigos e familiares e as forças de segurança aquando do regresso. (Imagine-se que uma cena similiar tinha acontecido em território israelita e a esta hora não haveria ser vivente que não se visse obrigado a solidarizar-se com a flotilha.) As flotilhas com Gaza por destino (na verdade não existem outras), não são nem humanitárias nem flotilhas pois o seu propósito é fazer activismo de bordo para divulgar perante jornalistas e nas redes sociais.
Claro que a reboque da flotilha voltou à superfície o discurso da nossa diferença em relação a Espanha nesta matéria. Corre na pátria que a Espanha, sim, tem política externa, que a Espanha faz bem em quase cortar relações com Israel e em impedir o acesso dos americanos às suas bases militares. E que Portugal, pasme-se, deveria seguir o exemplo do actual chefe de governo de Espanha. Obviamente, no final da tristíssima aventura acabaríamos destratados por todos, a começar pelos espanhóis e a acabar nos americanos, que muito provavelmente por essa altura estariam a firmar vários acordos em que nos ignorariam.
Corre também na pátria que a forma como Israel combate o Hamas e o Hezbollah não só viola o direito internacional mas........
