A opinião fictícia
A apresentação do mais recente relatório sobre a sustentabilidade da Segurança Social, coordenado por Jorge Bravo, motivou a proliferação da chamada opinião fictícia, um sub-género político-romanesco em que pessoas várias sem terem a mais pálida ideia sobre o assunto que comentam, se mostram indignadas e preocupadas perante o que antevêem como um ataque à Segurança Social com o objectivo oculto de promover a sua privatização.
Um dos casos mais interessantes dessa opinião fictícia foi protagonizado por Nuno Artur Silva, num programa na RTP Notícias.: “[Jorge Bravo] É a mesma pessoa que tinha feito o estudo para Passos Coelho e é essa pessoa Jorge Bravo, aliás, uma pessoa que é consultor de várias empresas de seguros privados e, isto convém não esquecer, é uma pessoa que há anos que anda a dizer que isto vai tudo cair, já tinha previsto que o sistema ia colapsar. O sistema não só não vai colapsar como segundo a própria Comissão Europeia e a OCDE está absolutamente sustentável. Isto infelizmente parece-me cada vez como uma tentativa comunicacional de abrir terreno para aquilo que sempre acontece que é a privatização dos bens públicos. E neste caso sobretudo não toquem no sistema de segurança social. Não toquem nas nossas reformas. Acho que é muito importante que elas permaneçam como estão neste momento.”
O antigo empresário e produtor de sucesso, que passou directamente da sua actividade privada no audio-visual para a administração da empresa pública RTP e que pouco depois de sair da RTP se tornou Secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media num dos governos de António Costa, considera que o relatório “Reformar as Pensões em Portugal: Por um Sistema Sustentável, Adequado e Justo – Um Contrato entre Gerações” sofre à partida de um enviesamento por Jorge Bravo ser ou ter sido consultor para empresas que trabalham na área dos seguros. Consultor, note-se. Nem sei o que diria Nuno Artur Silva se Jorge Bravo fosse empresário de um sector e fosse convidado para administrar um qualquer instituto ou empresa pública!
Mas passemos à frente deste detalhe humorístico (até porque há outros!) e........
