menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Uma dramática exposição de incompetências 

8 2
04.02.2026

Numa reportagem televisiva uma pessoa, manifestamente furiosa, resumia bem, um dia depois da tempestade, o que devia ser feito e não foi. Perguntava-se como queria que se usasse as redes sociais se não existiam comunicações, onde estavam os militares, porque não estavam já, depois da tempestade, a instalar tendas de campanha com assistência médica e distribuição de comida quente. Estão a distribuir lonas, dizia, mas para se fazer o quê com uma população envelhecida que não as conseguiria usar. “Só se for para fazer filhoses”, concluía, como que resumindo assim os absurdos que nos foram passando pelos olhos e ouvidos nestes dias de pós-tempestade Kristin. O espírito de solidariedade comunitária foi um pilar fundamental, já que o Estado esteve bastante aquém do que seria de esperar, pelo menos no imediato.

Enquanto as reportagens se centrarem nas visitas de ministros e candidatos aos locais devastados, como Leiria, Coimbra ou Marinha Grande, em vez de nos mostrarem que, de imediato, estavam no terreno não apenas os bombeiros como também os militares, estamos manifestamente a deixar as pessoas a tomarem conta de si. Não se sabe bem porque não foram de imediato convocados os militares. Aparentemente porque não o quis a Proteção Civil – cujo presidente também nos diz agora que não precisamos de pedir ajuda europeia.

Face ao que aconteceu, e ainda continua a acontecer, vale a pena olhar seriamente para os mecanismos de protecção civil que temos e verificar como é que podemos, de facto, apoiar quem precisa logo nas primeiras horas. Não se quer........

© Observador