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A austeridade pelo racionamento /premium

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03.06.2019

“A prioridade desta legislatura foi, obviamente, fazer a recuperação de direitos [e rendimentos]”, disse o primeiro-ministro na Comissão Política nacional do PS e aqui citado pelo Expresso (para assinantes). Promete, até ao fim da legislatura, dar resposta a “um conjunto de serviços cujo funcionamento deficiente não é aceitável”, nomeadamente os “transportes públicos, Serviço Nacional de Saúde ou prestação de serviços básicos como a emissão de cartões de cidadão e passaportes.” E na sexta-feira, o Governo, pela voz do ministro Pedro Nuno Santos, pediu desculpas aos passageiros de transportes públicos.

Aquilo a que estamos a assistir hoje é a consequência de escolhas que o Governo fez. E que o próprio Governo agora reconhece: deu prioridade à “recuperação dos direitos” à custa da degradação de outros direitos. Os universos podem não ser os mesmos. Uns suportaram apenas a factura escondida de uma acelerada recuperação dos rendimentos dos que são pagos pelo Estado. Os efeitos dessas opções a médio prazo mereceram neste espaço vários alertas. Há medidas que têm custos escondidos que se reflectem mais cedo ou mais tarde. O momento chegou, de pagar a factura dessas escolhas, como em 2011 chegou o tempo de pagar os excessos de uma década anterior.

A capacidade política de António Costa impede que esses custos, de degradação dos serviços públicos, tenham efeitos eleitorais. Esta foi uma legislatura de segmentação muito racional do eleitorado. Não se promoveu o interesse público, mas actuou-se em segmentos de mercado eleitoral relevantes para garantir a conquista e manutenção no poder. Se somarmos os funcionários públicos e os........

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