O papel dos engenheiros na segurança e defesa do século XXI |
Foi nos Açores, na Ilha Terceira, mais propriamente na Base das Lajes, que a Ordem dos Engenheiros escolheu, esta semana, dar início ao seu ano temático dedicado à segurança e defesa. A escolha não foi aleatória. O arquipélago é, em si, o argumento mais eloquente sobre o que Portugal representa no mapa estratégico do Atlântico.
Portugal ocupa uma posição geográfica sem equivalente na Europa. Estamos a meio do oceano que liga a Europa às Américas, com uma zona económica exclusiva de 1,7 milhões de quilómetros quadrados, uma das maiores do mundo, e com laços culturais, históricos e linguísticos únicos com o Brasil e com África que nenhum outro país europeu pode reivindicar. Durante séculos, fomos o ponto de passagem obrigatório entre continentes. Hoje, num momento em que o Atlântico volta a ser espaço de competição estratégica entre grandes potências, essa posição deveria ser tratada como um ativo de alta importância.
O Atlântico Norte enfrenta uma pressão crescente, com a Rússia a desafiar rotas marítimas e cabos submarinos que sustentam as comunicações e a economia ocidentais. No Atlântico Sul, a China expande a sua presença naval e económica de forma sistemática, e Portugal, com os seus laços únicos ao espaço lusófono, é o interlocutor europeu natural neste espaço. É neste quadro de tensão crescente em ambos os lados do oceano que a Europa acorda para uma realidade que adiou durante décadas: a segurança coletiva tem um custo, e que esse custo terá de ser pago pelos europeus. A União Europeia (EU) mobiliza, pela primeira vez enquanto bloco, centenas de milhares de milhões de euros para reconstruir a sua base industrial de defesa. E Portugal, com a sua posição única neste tabuleiro........