Política confirma a ciência. Obesidade não é culpa, é doença

Nas últimas semanas, algo verdadeiramente importante aconteceu na luta contra a obesidade. Não foi uma descoberta milagrosa, nem um avanço tecnológico súbito. Foi, acima de tudo, uma mudança política.

Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a apoiar formalmente o uso dos novos fármacos baseados no GLP-1 para o tratamento da obesidade, o impacto foi imediato: clínico, social e simbólico.

A primeira grande mudança foi a validação política de algo que a ciência já dizia há anos: a obesidade é uma doença tratável, não um defeito de carácter. Ao assumir esta posição, a OMS colocou a obesidade no mesmo plano de outras doenças crónicas, como a diabetes ou a hipertensão. Isto pode parecer óbvio, mas para milhões de pessoas representa uma libertação profunda da culpa e do julgamento.

A pergunta que surge naturalmente é: porquê que não aconteceu mais cedo?

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