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Poderiam os judeus do Porto chamar corrupto a Sousa Tavares?

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21.12.2025

Em 18 de dezembro do corrente, no âmbito sempre apaixonado do debate público em torno da lei da nacionalidade, o conhecido jornalista e comentador Miguel Sousa Tavares afirmou na TVI que a Comunidade Judaica do Porto estava envolvida num “esquema de corrupção”. A acusação pode ser apreciada em várias dimensões, incluindo uma positiva, posto que a predita organização privada tem dado mostras de saber recolher e arquivar para a história tudo o que contenha significado para uma epopeia já milenar.

O acusador certamente sabe que a legislação que permitia a obtenção da nacionalidade pelos judeus de origem portuguesa impunha a certificação (leia-se, uma opinião de boa-fé) por parte de uma pessoa coletiva religiosa radicada em Portugal, ao que se somava a exibição pelo requerente à Conservatória das provas da sua origem sefardita e, no final, o governo decidia se deveria conceder ou não a nacionalidade ao visado, de acordo com o legal poder discricionário que detinha. A legislação também se referia a critérios exemplificativos para apurar a origem das pessoas, designadamente os nomes de família e a memória familiar, esta forçosamente atestada por entidades reconhecidas no seio do mundo judaico, que não tem e nunca teve um “Vaticano”, mas que sabe discernir quem é quem à luz da tradição judaica, que é muito mais uma genealogia do que um “credo” como muitos ignorantes persistem em afirmar.

Neste cenário, importa saber quem se integra no “esquema de corrupção” afirmado tão........

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