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A Reforma do Ensino. Depois o resto

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10.09.2026

A consciência impõe que nos libertemos de décadas de autodestruição dos povos do mundo ocidental. Nos anos recentes, a resposta tem-se intensificado. Emerge na lucidez do senso comum ao identificar nos quotidianos das salas de aula a fonte do mal-estar social. Todavia, ministros, governos, parlamentos, universidades, sindicatos, fundações, movimentos orgânicos e demais decisores institucionais teimam na recusa da reforma do ensino, pois intuem que o abandono de perversões escolares e universitárias com décadas implicará a implosão da bolha mental que garante o seu poder político, social, cultural, económico.

A dissonância entre o universo mental do poder e o universo mental do senso comum explica as razões de nunca como hoje terem sido tão salientes predisposições sociais favoráveis à reforma do ensino. A evidência impõe-se aos que olhem com olhos de ver para a (silenciada) bola-de-neve de sofrimento físico e psicológico que já arrasta consigo cerca de metade dos (bem) mais de cem mil professores portugueses, um dos casos nacionais sintomáticos. O mesmo rolar acabou por arrastar consigo o descontrolo social da crise de saúde mental, a consequência inevitável da escolarização massificada, que deslocou o epicentro do milenar processo civilizacional para a intimidade de cada sala de aula.

No limite do caos, a rua tornou impossível ignorar transformações profundas que se espraiam pela Europa e demais mundo ocidental. É a realidade a impor à consciência de todos nós o dever de busca da racionalidade da reforma das reformas, a que antecede e condiciona as demais reformas, o que resta de socialmente consensual. Essa resposta cívica iniciar-se-á no momento em que cada sociedade, em particular as suas instituições, decidirem reaprender a respeitar os seus professores. Mais ainda, quando os próprios professores – pela autoterapia do conhece-te a ti mesmo, o legado de deus Apolo da Grécia da antiguidade – também decidirem reaprender a se respeitarem a si mesmos. Este segmento socioprofissional possui dimensões, capacidades, legitimidade e, não menos, a obrigação de se automobilizar em defesa da sua sanidade mental e dignidade humana, uma vez que o seu sentido de existência quotidiana modela os dos demais seres humanos em fases fundamentais: infância, adolescência e juventude.

Como não se vislumbra outra porta de saída capaz de inverter o atual ciclo depressivo do mundo ocidental, se as gerações portuguesas do presente souberem ser pioneiras devolverão Portugal à liderança da Europa e para além dela. Desde Afonso Henriques e com intervalos de séculos, regressa à história um tipo de dádiva do destino (em forma de grande desafio) que os portugueses sempre souberam transformar no seu bom fado. A reforma do ensino é uma das raríssimas oportunidades de revitalizar a sábia singularidade, dignidade e inteligência de um invejável povo antigo, quase milenar, o português.

Em forma de apêndice, as sete virtudes da autoridade moral suprema do professor valem como ponto de partida. São (apenas) o preâmbulo do livro que o autor deste artigo acaba de publicar.

«1. A virtude do professor é........

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