Acordo UE-Mercosul: é agora ou nunca |
Esta sexta-feira a União deu ao mundo um sinal de vida, através da aprovação, por parte dos Estados-Membros, da assinatura do acordo de livre-comércio UE-Mercosul. As reuniões desta semana representavam provavelmente a última oportunidade para ratificar o Acordo antes que a credibilidade da União para com os parceiros da América do Sul se perdesse totalmente, levando o Mercosul a procurar alternativas nos mercados asiáticos ou até mesmo no renovado interesse dos Estados Unidos.
O grande obstáculo à assinatura do Acordo continuava a vir de dentro da própria União. Ainda que tal posição não vá de encontro às suas restantes posições no plano internacional, o presidente francês Emmanuel Macron opôs-se sempre ao acordo como forma de impedir uma eventual vitória da extrema-direita nas eleições presidenciais de 2027. Ressalve-se que, perante a iminência da assinatura do acordo, manifestantes do sector agrícola já se fizeram ouvir por todo o país, facto que se tenderá a intensificar ao longo dos próximos dias. No entanto, a criação de uma zona de livre-comércio com o bloco latino-americano vai ao encontro de tudo o que o presidente francês tem vindo a defender para a União no panorama internacional e serviria directamente o objectivo de consolidar a autonomia estratégica europeia, algo que Macron vem defendendo acerrimamente desde o seu primeiro mandato. Contudo, devido às referidas considerações internas, o seu objectivo passou por aparecer perante o eleitorado francês como tendo-se batido contra o acordo até ao fim, sabendo, contudo, que a sua oposição não bastaria para o inviabilizar.
Polónia, Hungria, Irlanda e Áustria mostraram-se, de igual modo, decididos a bloquear o acordo, com a Bélgica a apresentar a sua abstenção. Tudo dependia, por isso, da luz verde vinda de Itália, que no passado mês de Dezembro havia apresentado reservas significativas que levaram a que o acordo caísse por terra. O........