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“Ai, Senhor Padre, a Mouraria já não é o que era”

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Quinta-feira, 14:30, Igreja de São Cristóvão, ali mesmo ao lado do Largo do Caldas e da sede do CDS-PP. Numa tórrida tarde de Junho, o Grupo Municipal do CDS-PP foi recebido pelo Padre Edgar Clara, pároco de São Cristóvão e São Lourenço, responsável pelas igrejas de São Cristóvão, Socorro, Santiago e Castelo.

O propósito era fácil de entender: conhecer, em primeira mão, a realidade do eixo Mouraria-Martim Moniz-Intendente, uma semana após o alerta da Câmara Municipal. A escolha não poderia ter sido melhor. Dir-se-ia providencial: o Pe. Edgar Clara conhece todos, fala com todos, tem um sorriso e uma palavra para todos. Surpreende, por isso, que em dezasseis anos de administração paroquial nunca grupo político algum o tenha procurado como mediador local.

Conta-nos ele que, no tempo em que Lisboa era ainda um conjunto de aldeias, a zona da Mouraria teria sido o refúgio de gentes vindas da Pampilhosa da Serra. Ali se estabeleceram e criaram os seus filhos. Seriam esses, bem como netos e bisnetos, os protagonistas e as vítimas de uma economia local tomada pela droga. Para que uma aldeia se transformasse numa quase-favela, bastaria deixar o vício entrar, entregá-la ao abandono e aguardar pelos efeitos do tempo.

Disse “quase-favela” e não exagerei. A visita guiada foi elucidativa. Vimos pessoas orgulhosas do seu bairro, mas cansadas. Gente que ama aquele lugar, mas que, assim que se vê a jeito, desabafa: “Ai, Senhor Padre, isto já não é o que era!” O que ao ouvido desarmado poderia parecer um lugar-comum nostálgico é, na realidade, a síntese popular de um problema político.

Há problemas graves........

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