A energia limpa drena o combustível da guerra
“War? What is it good for?” O hino soul de Edwin Starr, de 1970, deu um veredicto definitivo: “Absolutely nothing.” Mas Starr não tinha em conta os autocratas de hoje. Mais de meio século após o lançamento da canção, para homens como Donald Trump, Benjamin Netanyahu ou Vladimir Putin, a guerra não é algo a evitar, é o setor de crescimento por excelência.
Olhe para o mapa mundo e tente localizar os grandes conflitos de hoje. Do Levante às estepes da Eurásia e ao Golfo Pérsico, os padrões de libertação e segurança alinham-se com precisão cirúrgica sobre algumas das jazidas mais valiosas do planeta. Onde Starr nada via de valor, o autoritário moderno vê um desperdício imperdoável de capital potencial. Para eles, a guerra é a ferramenta definitiva para colher os combustíveis do passado e arrebatar os minerais que ditarão o amanhã.
As brasas dos fogos de artifício de Ano Novo ainda arrefeciam na Venezuela quando foi incendiada por uma faísca diferente: o desencadeamento da Operação Resolução Absoluta. Quando os militares norte-americanos caíram sobre Caracas para arrastar Nicolás Maduro para Nova Iorque, Washington falou em “reimplementar democracia” e “esmagar o narcoterrorismo”. Bastou menos de um dia para que esse pretexto humanitário se evaporasse.
A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do planeta, mais de 300 mil milhões de barris de petróleo bruto – um espólio energético demasiado vasto para a atual administração americana ignorar numa era de escassez de oferta. Poucas horas após a incursão, a retórica de Donald Trump passou de a de um libertador relutante para a de um diretor-geral implacável. Os Estados Unidos, declarou ele, iriam “gerir” a Venezuela durante a sua transição, enquanto as gigantes petrolíferas americanas entrariam em cena para “reparar e operar” um sistema energético “podre”. Já não se tratava de reconstrução nacional – se é que alguma vez o tivesse sido – era algo mais direto: a conversão tranquila de um Estado soberano num depósito estratégico de combustível.
Mas se a Venezuela serviu de modelo, o Irão representa o prémio supremo. O ataque conjunto dos EUA e de Israel, a 28 de fevereiro, também ocorreu sem aviso prévio e com uma justificação muito menos clara. Terá sido um gesto de solidariedade para com Israel? Um ataque preventivo contra um programa nuclear que Netanyahu afirma estar “a semanas de distância” há trinta anos? Ou uma cruzada tardia pelos direitos humanos? Os americanos parecem incapazes de se decidir por uma narrativa, com o próprio Trump a vacilar sobre a missão que ele mesmo autorizou. No entanto, os dados são incontestáveis.
O Irão é um cofre de recursos avaliado em 27 biliões de dólares. Detém as........
