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A IA não dispensa a teoria, mas torna-a indispensável

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25.04.2026

Os Blended Intensive Programmes (BIP), como o que me trouxe à Letónia, são exemplos práticos de como a universidade pode adaptar-se e inovar. Estes programas combinam a aprendizagem online com períodos de mobilidade física curta, promovendo a colaboração transnacional. Eles têm uma utilidade que raramente aparece nos relatórios finais, nas fotografias institucionais ou nas fórmulas protocolares de sempre. Obriga-nos a sair da nossa bolha. E, quando isso acontece, vê-se melhor o que em Portugal ainda fingimos não querer ver: o debate sobre inteligência artificial no ensino superior continua demasiadas vezes encolhido a uma pergunta básica: como impedir que os estudantes usem a ferramenta para facilitar o trabalho? Quando a verdadeira pergunta é outra, muito mais séria e muito mais exigente: como redesenhar a universidade num mundo em que a máquina já responde antes de o professor acabar a pergunta?

Nos países bálticos, a sensação é diferente. Não porque vivam deslumbrados com a tecnologia, nem porque acreditem ingenuamente que a IA resolverá os problemas da educação. Pelo contrário. O que se sente é uma maior clareza estratégica. A Estónia e a Lituânia parecem compreender melhor do que nós que a inteligência artificial não é apenas um instrumento novo; é uma alteração profunda da ecologia do conhecimento.

A visita da Ministra da Educação da Estónia, Kristina Kallas, a Portugal, revelou uma diferença de perspetiva que desafia as abordagens mais conservadoras. Ao contrário de Portugal, que optou por proibir o uso de telemóveis nas escolas, a Estónia escolheu não impor tais restrições, defendendo que a responsabilidade sobre o uso dos dispositivos deve ser partilhada por toda a sociedade, e não recair exclusivamente sobre os professores. Esta filosofia estende-se à IA, onde a Estónia adota uma postura de integração, fornecendo licenças de ChatGPT a alunos e professores, vendo a IA como uma ferramenta que altera a forma como aprendemos

Na Letónia, o sentimento de agilidade é semelhante. O país vê-se como uma potencial potência de IA devido à sua capacidade, enquanto nação pequena, de se adaptar e implementar mudanças rapidamente. Kallas sublinhou a importância da autonomia docente, argumentando que os professores devem ter a liberdade de decidir que ferramentas aplicar. Esta perspetiva báltica, assente na confiança na capacidade de adaptação e na autonomia dos agentes educativos, é uma provocação direta aos modelos que........

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