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A direita está em crise?

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15.06.2019

Está. E nem era preciso o Presidente da República ter vindo dizer isso. Já era evidente. E o problema não é do sistema, nem da democracia, nem dos eleitores. Há podres? Sempre houve, mas agora até se fala deles e, ainda que timidamente, lá vão aparecendo uns condenados. O problema está no espaço político não marxista.

A crise da direita é uma crise conjuntural e nem tanto estrutural. Logo, é uma crise que se resolverá com a lógica darwiniana de que os que não se souberem adaptar desaparecerão. O primeiro problema que a direita tem de resolver é adaptar-se às circunstâncias sem que isso a descaracterize.

Daqui surge o segundo o problema, o da caracterização da direita. Em Portugal, erradamente, direita é tudo o que não é de esquerda. Simples, não é? Ora, como é a esquerda que nos diz quem é de esquerda, da mesma forma que é direita tudo aquilo a que a esquerda chama de direita. É de direita quem não é do clube da esquerda, mesmo que haja na direita quem fale de pessoas e ideias com cariz social muito mais marcado daquelas ideologias que o PCP, BE e parte do PS, defendem. Houve progresso. Há uns anos eramos todos fascistas.

Mas, em boa verdade, a classificação é inútil. Digamos que de um lado teremos os que defendem as liberdades civis, o mérito, o reconhecimento dos melhores, a propriedade privada, a ordem, os bons costumes e a integridade da Nação, do seu território e da sua cultura. Estes podem ser a direita. Do outro lado estão os que não defendem o papel central indivíduos na formação do Estado, revoltam-se contra a ideia de Nação, mesmo que esta possa ter gente de origens diferentes, pugnam pela coletivização da propriedade, anseiam pela ditadura do proletariado, abominam a iniciativa privada, agora querem impor ideologias de género e aceitam que os valores do coletivo se sobrepõem aos desígnios de cada pessoa. Estes serão a esquerda. Entre os extremos há um pouco de tudo e, seguindo as convenções mais comuns, até o PS tem muita dificuldade em catalogar-se como esquerda.

Sendo assim, a delimitação é difícil de estabelecer na fronteira do centro, mas vamos aceitar que PCP, BE e similares (tipo Livre, MAS, MRPP), mais o novo PS que alinha com eles, são a esquerda. O PSD, CDS, Aliança, Iniciativa Liberal e Basta (“estamos fartos” mas não sabemos bem o que queremos, embora capar os pedófilos possa ser um princípio de conversa), a que podemos adicionar o embrião extremista do PNR, são a direita. Para efeitos de discussão facilita. De um lado e outro incluí grupúsculos que correspondem a “sobras” de votos perdidos, reconhecendo que não são todos iguais. No meio disto, não há ecologistas legítimos, o que me alivia de os ter de arrumar entre esquerda e direita.

Se nos reduzirmos aos votos de PCP, BE, PS e PAN (estes devem ser de esquerda porque nem a direita os quer) vs PSD, CDS, Aliança, Chega pr’a lá e Iniciativa liberal, fazendo fé nas sondagens, a esquerda ganha. Não ganha por muitos, mas ganha. Todavia, a maioria dos Portugueses não é comunista, nem extremista de outra qualquer coisa, e a maioria dos votos está entre PS e PSD. Esta seria a maioria “natural”, onde a leis “de regime” devem ser construídas, mas a bem da democracia e da alternativa na atribuição do poder, será mais inteligente falar em PS (com as suas alianças de conveniência) de um lado e PSD CDS do outro. Terceiro problema da direita, o sinal não é implementado. Pessoalmente, penso que o dia virá em que PSD e CDS compreenderão que a situação atual, a evolução do espaço democrático, levará a que se fundam ou a que permaneçam coligados,........

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