Ponto de Encontro: serviço militar e cidadania |
Há iniciativas que merecem ser valorizadas não apenas pelo que fazem, mas pelo debate que conseguem provocar. Colocar os jovens a discutir o serviço militar, a cidadania e o papel de cada cidadão na defesa do País é uma dessas iniciativas. E talvez seja precisamente esta a parte mais importante: não falar dos jovens, mas falar com os jovens.
É neste contexto que merece particular atenção a iniciativa agora lançada pelo Ponto de Encontro | Cidadania ao Serviço de Portugal. O seu Roteiro da Cidadania propõe levar o debate para o terreno, através de Encontros Locais de Cidadania, envolvendo jovens, escolas, autarquias, instituições e cidadãos numa discussão plural sobre Cidadania e Serviço Militar, mas também sobre defesa, coesão nacional, preparação coletiva e responsabilidade cívica. A iniciativa não pretende partir de uma conclusão previamente definida: procura recolher contributos e diferentes perspetivas para, posteriormente, os sistematizar num Documento Síntese/Proposta Nacional a apresentar à Assembleia da República(AR) e ao Governo. E o debate começa já no dia 2 de Setembro, em Tondela, naquele que será o primeiro momento deste roteiro nacional. É precisamente esta dimensão descentralizada que torna a iniciativa particularmente relevante: levar a discussão para junto dos cidadãos e, sobretudo, dos jovens, em vez de a deixar confinada aos corredores das instituições políticas ou militares em Lisboa.
Este Roteiro que acontece de seguida dia 4 de Setembro em Coimbra, dia 9 em Oliveira de Frades, Lamego e Viseu, dia 10 em Elvas, dia 11 em Vila Nova de Gaia e dia 12 no Funchal irá ter também um momento em Lisboa e noutras cidades onde ainda estão a ser agendados, mas nenhum deles pretende ser uma iniciativa para convencer os jovens da necessidade do serviço militar, mas como uma oportunidade para descobrir o que a própria sociedade portuguesa está disposta a fazer pela sua defesa
Durante décadas, Portugal habituou-se a olhar para o serviço militar como uma realidade pertencente a outra geração. A suspensão do serviço militar obrigatório, em 2004, consolidou essa distância. Para muitos jovens portugueses, as Forças Armadas passaram a ser uma instituição que se conhece sobretudo através das notícias, das cerimónias ou das operações de emergência.
Entretanto, o mundo mudou. A guerra regressou ao continente europeu. A Ucrânia continua a combater pela sua sobrevivência. O Médio Oriente atravessa uma das fases mais perigosas das últimas décadas. As grandes potências competem pelo domínio........