25 de Abril, 2026: quem defende amanhã a Liberdade?
Pela primeira vez, uma posição russa foi capturada exclusivamente com recurso a drones e sistemas robóticos terrestres, sem qualquer presença de infantaria. A operação foi concluída sem baixas do lado ucraniano, confirmando aquilo que muitos analistas vinham antecipando: a tecnologia já não é apenas um multiplicador de força, está a tornar-se, em determinados contextos, o próprio instrumento principal de combate. Em paralelo, a integração acelerada de sistemas não tripulados no campo de batalha, desde drones a veículos terrestres autónomos, está a transformar não só as tácticas, mas a própria natureza da guerra. Estes sistemas permitem reduzir riscos humanos, aumentar a persistência no terreno e operar em ambientes onde o soldado tradicional dificilmente sobreviveria.
À primeira vista, a conclusão parece óbvia: menos necessidade de militares, mais dependência de tecnologia, mas essa leitura é não só simplista, é perigosa.
Apesar da crescente robotização do campo de batalha, a guerra continua a ser, na sua essência, uma actividade profundamente humana: exige decisão, liderança, adaptação, julgamento sob pressão e, sobretudo, presença no terreno quando a tecnologia falha, é neutralizada ou simplesmente não consegue substituir a complexidade do factor humano. Importa sublinhar que a história militar demonstra repetidamente uma tendência recorrente: a crença na substituição do elemento humano pela tecnologia tende a emergir em cada salto tecnológico significativo, das metralhadoras em 1914 à blindagem na II GM, da aviação aos drones de hoje, mas nunca se confirmou como substituição total, apenas como reconfiguração da função do combatente.
É precisamente neste aparente paradoxo, mais tecnologia, mas não menos necessidade de militares, que se joga uma das grandes questões estratégicas do nosso tempo.
E convenhamos, ainda que mais bem preparados e em menor número há um mínimo absolutamente necessário para dar corpo às FFAA e materializar as missões que o País lhes atribui, ainda que com mais ou menos sistemas autónomos! E aqui a questão é simples: os números de 24 517 militares que há dias Nuno Melo, ministro da Defesa Nacional, anunciou, assinalando uma inversão da queda nos últimos anos, são suficientes?
O próprio governante deu a resposta assegurando que a tendência é “notável”, mas deve ser encarada “sem euforias”, realçando que é necessário continuar a investir em medidas para que se atinja o objectivo legal de 32 mil. Este debate insere-se também na tensão estrutural entre três tempos distintos: o tempo político, que tende a ser imediato; o tempo tecnológico, que evolui exponencialmente; e o tempo militar, que depende de formação, experiência e maturação institucional.
Sejamos justos para com quem herdou da governação anterior uma situação lastimável do estado das FFAA, onde durante........
