A Democracia vira Performance: o caso Manuel João Vieira

Portugal sempre teve uma relação peculiar com a política: levamo-la a sério quando convém, a brincar quando dói e a ritualizamos quando já não sabemos o que fazer com ela. A candidatura de Manuel João Vieira à Presidência da República, embora não seja nova, regressa agora com uma força simbólica particular. Mais do que um ato eleitoral, é um espelho — e, como todos os espelhos, devolve-nos aquilo que talvez preferíssemos não ver.

Vieira não é um candidato tradicional. Não tem partido, não promete estabilidade financeira, não discute o peso da administração pública nem apresenta um plano concreto para a reforma do Estado. Em vez disso, fala em Ferraris para todos, vinho canalizado em casa e outras extravagâncias que parecem retiradas de um sketch dos Ena Pá 2000. E, no entanto, há quem o siga, quem o partilhe, quem lhe dê palco. O absurdo, aparentemente,........

© Observador