Trabalhar em rede para proteger as crianças
A alienação parental não é um problema simples, nem surge de um momento para o outro. É uma situação que se constrói aos poucos, muitas vezes de forma silenciosa. Aparece nas pequenas frases repetidas, nas críticas constantes, nos silêncios prolongados e na forma como a criança é colocada no meio do conflito entre os pais. Por isso, não pode ser resolvida com uma única decisão, nem com a intervenção isolada de um profissional.
Para intervir de forma eficaz, é fundamental trabalhar em rede e adotar um olhar sistémico sobre cada caso.
Um olhar sistémico implica reconhecer que a criança não vive isolada, mas inserida numa rede de relações familiares onde todos se influenciam mutuamente. Quando existe tensão entre os pais, essa tensão não fica limitada aos adultos, atravessa o ambiente familiar e chega inevitavelmente à criança. Esta pode aproximar-se mais de um dos pais, afastar-se do outro para evitar conflitos ou até reproduzir discursos que ouve em casa. Estes comportamentos não surgem por acaso; são respostas ao contexto relacional em que vive.
É precisamente por isso que o trabalho em rede se torna essencial. Para compreender verdadeiramente o que está a acontecer, é necessário juntar diferentes olhares e competências.
Trabalhar em rede significa que diferentes áreas, como a justiça, a saúde e a educação, comunicam entre si e partilham uma compreensão comum das situações. Como cada uma só vê uma parte da realidade da criança, nenhuma consegue, sozinha, ter uma visão integrada e completa.
A justiça, por exemplo, é muitas vezes a última instância onde se tomam as decisões que têm impacto direto na regulação da parentalidade e vida da criança. Por isso, é essencial que essas........
