Quando se resiste com esperança: pais e mães alienados

Em Portugal, a alienação parental continua a existir como uma realidade pouco visível e, por vezes, silenciada. Multiplicam-se relatos de pais e mães alienados afastados dos seus filhos por decisões judiciais, acusações sucessivas, conflitos prolongados ou dinâmicas de controlo emocional que transformam a família num território de desgaste constante.

Todos os dias emergem testemunhos de quem rompe o silêncio e expõe a dor do afastamento. São histórias que revelam perdas profundas, cansaço emocional e um sentimento de injustiça que atravessa tribunais, consultórios, espaços de proteção infantil e casas divididas. São narrativas marcadas pelo trauma, mas também pela resistência de quem, apesar de tudo, se recusa a desaparecer da vida dos filhos.

Entre a frustração e a perseverança, pais e mães alienados descrevem o que significa perder a vida quotidiana com os filhos e tentar reconstruí-la. Nos seus relatos, a referência ao afastamento forçado surge, não apenas como um conflito parental, mas como uma ferida emocional que se reflete no tipo de vínculo relacional com os filhos, na sua identidade e no próprio sentido de ser mãe ou pai. E, mesmo assim, dentro dessa ferida nasce, por vezes, um ponto de regresso, uma a esperança que resiste, onde a possibilidade do reencontro se mantém viva.

Entre os testemunhos de pais e mães alienados, surgem declarações que são verdadeiros manifestos de sobrevivência emocional. Um dos relatos marcantes partilhou-nos o impacto do afastamento e a travessia entre a perda e a resistência: “eu passei por isso…os dois piores anos da minha vida longe da minha princesa. Hoje não a deixo por nada. Lutem! A guerra compensa”. Estas palavras revelam um percurso que começa numa dor extrema, mas que avança numa luta persistente pelo reencontro. Do trauma inicial nasceu uma força de resistência à ausência, a decisão de regressar à vida com a filha. Mais, este testemunho não é apenas relato individual, mas também um apelo decidido para que quem ainda enfrenta o mesmo processo de alienação parental perca a esperança e continue a lutar.

Outro pai alienado também nos contou que passou por um processo análogo, ao longo, de três anos, muito cansativos, mas que não desistiu. Falou do seu desgaste emocional e de da sua caminhada na justiça, num percurso entre um momento em que sentiu quase irremediavelmente afastado dos filhos, para uma........

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