Madrasta e filho alienado (VI) |
Foram estes os temas tratados nos artigos anteriores: “Dar voz ao silêncio: viver a alienação parental como madrasta (I)” (08 de maio de 2026), “O início da relação: quando a madrasta entra numa história já marcada pela alienação (II)”, “Conflitos, medo, mentiras e lealdades divididas: testemunho de uma madrasta de um filho alienado (III), “Rotinas e presença: a luta de uma madrasta e um pai alienado para manter o vínculo com o filho alienado (IV) e “A entrada gradual de uma madrasta na vida de um enteado alienado” (V).
Ao longo de mais de duas décadas, a Inês construiu uma relação com o seu enteado alienado, Lourenço, marcada por desafios, dúvidas, conquistas e uma enorme perseverança. Enquanto madrasta de um filho em situação de alienação parental, enfrentou dificuldades que ultrapassaram largamente a relação com a criança, repercutindo-se também na vida do casal, na organização familiar e no próprio sentimento de pertença à família. Apesar dos obstáculos, o seu testemunho é também uma história de resistência emocional, de construção paciente de relações e de esperança. Ao longo dos anos, Inês foi aprendendo a lidar com conflitos, inseguranças e tensões relacionais, sem perder de vista aquilo que considerava mais importante, o bem-estar de Lourenço e a preservação das relações familiares.
Inês identificou um fator que considerou fundamental para a diminuição dos conflitos e para a construção de relações mais saudáveis, que foi a capacidade de comunicar com empatia e de reconhecer as dificuldades vividas por todos os envolvidos. Como nos partilhou: “Se calhar, se conseguirmos comunicar como: ‘eu percebo que não é fácil para nenhum dos lados’, se calhar evitavam-se tantos conflitos”. Esta reflexão evidencia a importância de uma comunicação mais compreensiva e menos defensiva no contexto de conflito familiar. Para a Inês, reconhecer a dificuldade do outro não significa concordar com tudo o que aconteceu, mas criar condições para reduzir as tensões e promover o entendimento e proteger as crianças do peso dos conflitos entre adultos.
A sua história como madrasta mostra que, mesmo em contextos marcados pela alienação parental, é possível construir relações significativas, manter vínculos afetivos duradouros e encontrar caminhos de maior equilíbrio, desde que haja disponibilidade para ouvir, compreender e continuar a investir na relação.
Para a Inês, a mudança começou quando deixou de olhar para a situação como uma disputa entre lados opostos e passou a reconhecer que todos os envolvidos carregavam dificuldades, inseguranças e emoções próprias. Com o passar dos anos, a reorganização das vidas familiares também contribuiu para um ambiente mais tranquilo, como nos contou: “Mesmo do lado da mãe, o facto de depois ter tido outra relação e outro filho, a verdade é que tira um bocadinho estas tensões. E o que eu sinto é que deixou de haver aquela intenção de criar algum atrito. Acho que no fundo, quando quase que cada um organizou novamente........