Dias da Mãe negados (II)
Na primeira parte desta história, analisada no artigo anterior, conhecemos o início da história de Laura, uma mãe alienada afastada do filho num processo marcado por dor, conflitos e ausência. Nesta segunda parte, seguimos o caminho que se prolonga no tempo, as marcas que ficam, o crescimento do filho no meio do conflito e a resistência silenciosa de um amor que não desaparece, mesmo quando a distância se instala.
Com o passar do tempo, as decisões formais não trouxeram a tranquilidade que Laura esperava. Aquilo que parecia, à partida, uma solução equilibrada acabou por se revelar difícil de viver no dia a dia. Como nos testemunhou: “Finalmente chegou setembro e com a abertura dos tribunais foi possível então definir a guarda partilhada do José. A guarda partilhada parece fazer sentido, nenhum dos dois se opôs, no entanto como se pode partilhar a guarda de uma criança quando não existe respeito e os pais não estão sintonizados enquanto casal parental”. Na prática, sem diálogo e sem respeito entre os pais, aquilo que deveria proteger a criança acaba por se transformar numa nova fonte de tensão. Torna-se quase impossível garantir estabilidade, deixando a criança no meio de um conflito que parece não ter fim.
Ao mesmo tempo, Laura sentiu que, ao longo de todo o processo, foi sendo construída uma imagem negativa sobre si, como se a sua forma de ser mãe estivesse constantemente a ser posta em causa: “Tentaram de tudo…desde construir a imagem de que era uma pessoa agressiva, que era ausente, que não tinha rede de apoio, que trabalhava de forma excessiva, que não fazia atividades com o José”. Situações como esta magoam profundamente, porque não afetam apenas a relação com o filho — atingem também a identidade da mãe e a forma como passa a ser vista pelos outros.
Houve momentos ainda mais difíceis, que Laura recordou como especialmente graves e........
