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Um sinal de Deus para a Igreja


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17.05.2019

De novo a Igreja faz centrar as atenções na instituição laical Opus Dei ao proclamar beata, dia 18 de Maio, uma das primeiras numerárias, a espanhola Guadalupe Ortiz de Landázuri. Com o reconhecimento das virtudes heroicas de Guadalupe a sua vida será difundida como um exemplo a seguir. Reacende-se, assim, o interesse (ou a polémica) sobre a especificidade desta instituição. Na primeira biografia publicada sobre Guadalupe Ortiz (2001) (1) é-lhe atribuído o perfil de pioneira na expansão do Opus Dei e o de filha predileta do fundador, o sacerdote Josemaría Escrivá. Pela estreita colaboração que tiveram é considerada o seu braço direito na expansão do movimento em Espanha (1944-1950; 1960-1975) e, sobretudo, no México (1950-1956). E porque ambos faleceram no mesmo ano, com apenas vinte dias de diferença, Guadalupe será beatificada em Madrid, também em Maio, em data muito próxima da beatificação do fundador, a 17 de Maio de 1992. Filha de pai militar, muito da sua forte personalidade desenvolveu-a no seio de uma família católica, na exigência das virtudes castrenses e, também, na adaptação às constantes mudanças de casa e de país sempre que o pai era destacado em serviço. De igual modo, a Guerra Civil de Espanha, o fuzilamento do pai e as repercussões da Segunda Guerra Mundial, na escassez de bens essenciais, provaram e marcaram o seu carácter. Esta base educativa e de provação tornou-a apta para compreender o alcance do que lhe foi proposto pelo sacerdote Josemaría Escrivá, ao ser admitida no então incipiente movimento laical Opus Dei, em 1944.

Guadalupe Ortiz de Landázuri teve uma vida fora do comum. Fez parte do núcleo de mulheres pioneiras, numerárias, formadas directamente pelo fundador do Opus Dei, que lhes disponibilizou uma sólida formação humana, doutrinal e teológica tal como o fez com a secção masculina. Os pilares da formação, assentes na ampla Tradição paulina e Patrística (2), consistiam na compreensão, de certo modo visionária, escatológica poderíamos dizer, de que o sacramento do Baptismo insere cada cristão no dinamismo da nova criação pela filiação divina (filhos no Filho). O acontecimento nuclear desta transformação cósmica viu-o claramente o fundador no dia 7 de Agosto de 1931, Festa

litúrgica da Transfiguração do Senhor: «E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12, 32). O efeito cósmico da Redenção adquire forma através do chamamento universal à santidade: «Até a criação se encontra em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19). É neste contexto que o sacerdote Josemaría Escrivá propõe ao núcleo dos pioneiros, homens e mulheres, a plena identificação com Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem. Em muitas das suas homilias era recorrente ouvi-lo afirmar: «Temos de ser, cada um de nós, alter Christus, ipse Christus, outro Cristo, o próprio Cristo.» (3)

Sendo Guadalupe formada em Química foi-lhe particularmente fácil entender as repercussões que a coerência da vida cristã teria na transfiguração da matéria, potenciada pela Redenção de Jesus Cristo. A sua formação académica e o trabalho........

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