Alentejo: um ativo para que só alguns sabem olhar |
O Alentejo voltou a liderar o ranking da pobreza em Portugal, com 17,9% de pobreza monetária segundo a Fundação Francisco Manuel dos Santos. É um número que devia envergonhar o país, mas que parece já não incomodar ninguém. Tornou-se paisagem, estatística repetida, fatalismo aceite. O problema é que esta resignação diz mais sobre nós do que sobre o Alentejo. Porque o Alentejo não é pobre, foi empurrado para a pobreza por décadas de decisões erradas, adiadas ou simplesmente inexistentes. Nas minhas férias em família, atravessei o território de norte a sul e vi aquilo que os relatórios não mostram: potencial desperdiçado, oportunidades abandonadas e infraestruturas que podiam ser motores económicos e que foram deixadas a apodrecer ao sol. Vi, acima de tudo, um território que não falhou, foi falhado e empurrado para o esquecimento.
O Alentejo tem aquilo que a Europa inteira procura: espaço, silêncio, céu limpo, terra disponível, património habitacional barato, clima apetecível e infraestruturas subutilizadas. E tem ainda um trunfo que o país insiste em ignorar: a Costa Alentejana, um dos trechos costeiros mais valiosos da Europa. Ali, mar, história e natureza convivem com portos, com o rio Sado e com a proximidade ao Aeroporto de Beja. É uma costa com potencial........