A arte do tiro no pé

O mercado de trabalho em Portugal domina uma coreografia laboral digna de estudo: o setor privado descarta trabalhadores qualificados a partir dos 50 anos, como se décadas de experiência fossem um capricho caro, enquanto o Estado prolonga a idade da reforma como se todos fossem maratonistas emocionais. Uma dança perfeita: uns empurram para fora, outros puxam para dentro, e quem trabalha fica no meio, a tentar não cair — um verdadeiro exercício de equilibrismo. Eu própria vivi isto: entrei na docência depois de três anos no setor empresarial, voltei a estudar aos 28, terminei o curso aos 35 enquanto trabalhava e só fiquei efetiva aos 48. Pelo caminho, vi pessoas serem dispensadas quando ainda queriam e podiam trabalhar. E, quando são descartadas, tornam‑se um peso para a Segurança Social,  que conveniente. O setor privado livra‑se delas, o setor público paga a fatura.

E há ainda um detalhe que raramente entra na conversa: a geração dos 50 anos é a geração que........

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