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Ser pai é fazer de super-homem

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20.03.2019

Ser pai é fazer de super-homem. Mesmo quando se tem o coração todo engasgado e a voz nos tremelica. E, mesmo assim, fazermos de conta que nada nos desperta receio nem nos encolhe sempre que espantamos o medo para bem longe de quem nos ama.

Ser pai é, ao brincar, atirarmo-nos para o chão. E andarmos à luta. E fazermos guerras de almofadas. E, claro, ataques de cócegas! E é escangalar-mo-nos a rir. E, depois, acabar o “vendaval” num abraço, grande e apertado, que tira o ar. E fazer com que essa força deixe de ser nossa e fique, toda ela, guardada no coração dos nossos filhos.

Ser pai é deitarmo-nos na relva a inventar histórias (que podem ser um bocadinho desengonçadas e, até, patetas!). E fazemos de intrujões. Quando rugimos como um leão ou atacamos como um monstro, terrível e maldito. E divertirmo-nos, metendo sustos. E, depois, salvarmos das manhas dos arrepios quem nós assustámos. E sentir-mo-nos mágicos. Outra vez.

Ser pai é ser apanhador de nuvens. E descobrir nelas formas um bocadinho misteriosas e escaganifobéticas. Que mais ninguém, a não ser nós, consegue ver! E, depois, parecemos, apesar de tudo, tão crescidos que, sempre que nos esticamos, quase tocamos nelas. E sermos, de todas essas vezes, poderosos e gigantes. Ou uma espécie de arranha-céus. Simplesmente.

Ser pai é ter sempre um euro guardado para um cavalo, daqueles que nos dão música, e que troteiam sem sair do lugar. Ou........

© Observador